Comprar imóvel ficou 6,52% mais caro em 2025; veja onde os preços mais avançaram

Tatyane Estevão

Analista de planejamento

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Comprar um imóvel residencial ficou, em média, 6,52% mais caro em 2025. Mesmo assim, o mercado não perdeu o fôlego. O dado, medido pelo FipeZAP, mostra que os preços de venda de imóveis subiram bem acima da inflação do período e garantiram mais um ano de ganho real para quem está no mundo do tijolo.

Enquanto o IPCA deve fechar perto de 4,18% e o IGP-M ficou no negativo, o imóvel seguiu firmando posição como ativo resiliente, mesmo em um cenário de crédito caro e Selic elevada. Ou seja, quem comprou ou manteve patrimônio em imóveis não apenas protegeu valor, como também saiu na frente da inflação.

Em dezembro, porém, o ritmo desacelerou. A alta foi de 0,28% no mês, abaixo de novembro e também de dezembro de 2024. Esse movimento indica uma acomodação natural depois de dois anos seguidos de valorização forte. Nada que aponte para queda generalizada de preços, mas um mercado um pouco mais calmo, escolhendo melhor onde e como reajustar.

A alta de 2025 foi bem distribuída pelo país. Entre as capitais, Salvador, João Pessoa e Vitória ficaram entre os destaques, com valorizações de dois dígitos no ano. Já em praças mais maduras, como São Paulo e Rio de Janeiro, o avanço foi mais moderado, mas ainda positivo, mantendo o ativo atrativo no longo prazo.

O recorte por tipologia também reforça uma tendência conhecida de quem atua no dia a dia: os compactos seguem na frente. Apartamentos de um dormitório foram os campeões de valorização, com alta acima de 8% no ano. Na outra ponta, unidades maiores, com quatro dormitórios ou mais, subiram menos, perto de 5%, o que mostra uma demanda mais intensa por imóveis menores, bem localizados e com boa liquidez.

No fim de 2025, o preço médio nacional de venda ficou em torno de 9.611 reais por metro quadrado. Imóveis de um quarto passaram de 11.600 reais por metro, enquanto os de dois quartos ficaram na faixa dos 8.600 reais por metro quadrado.

Tudo isso aconteceu em um ambiente de financiamento mais pesado, com juros altos e poupança pressionada. O que ajudou a segurar a ponta da demanda foi o conjunto da economia real: desemprego em mínima histórica, renda em alta e PIB positivo, ainda que em ritmo moderado. Em outras palavras, uma parte relevante das famílias continuou com capacidade de compra, mesmo com as condições de crédito mais duras.

Olhando para 2026, a expectativa é de continuidade da valorização, mas em velocidade menor, especialmente no primeiro semestre. O mercado já trabalha com o cenário de início do ciclo de queda da Selic ao longo do ano, o que tende a aliviar o custo do crédito aos poucos e, mais à frente, melhorar as condições de financiamento. Somam-se a isso os testes do Banco Central com um novo modelo de crédito imobiliário, buscando alternativas à poupança como fonte principal de recursos.

Para imobiliárias e corretoras de seguros imobiliários, a mensagem é clara:
os imóveis seguem sólidos como ativo, o cliente continua sensível ao valor da parcela e à localização, e 2026 deve ser o ano de organizar base, qualificar oportunidades e estar pronto para um cenário em que o crédito fica um pouco mais amigável, mas ainda longe de ser “fácil”. Quem estiver preparado para esse ajuste gradual tende a capturar as melhores oportunidades.

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