Copom mantém Selic em 15% e adota tom cauteloso, frustrando expectativa de parte do mercado
Tatyane Estevão
Analista de planejamento
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O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano na reunião encerrada nesta quarta-feira (5). Essa é a terceira vez consecutiva que o Banco Central opta por não reduzir os juros, uma decisão que reforça o tom de cautela e frustra parte do mercado, que esperava sinais de flexibilização já neste fim de ano.
No comunicado, o Copom destacou que a política monetária seguirá “significativamente contracionista por um período prolongado”, para garantir que a inflação continue convergindo para a meta. Em outras palavras: o juro alto vai continuar, por enquanto.
O mercado interpretou o texto como neutro, mas com viés duro (“hawkish”, no jargão econômico). Analistas afirmam que o BC reconhece o arrefecimento da inflação, mas ainda não se sente confiante para cortar juros diante de um cenário global incerto e de preocupação com o ajuste fiscal brasileiro.
Economistas consultados apontam que o primeiro corte pode vir apenas entre março e junho de 2026, dependendo do ritmo de queda dos preços e da estabilidade das contas públicas.
A inflação projetada para o horizonte relevante da política monetária caiu de 3,4% para 3,3%, próxima da meta. Ainda assim, o juro real (descontada a inflação) continua entre os mais altos do mundo, superando 10% ao ano.
No setor produtivo, a reação foi imediata. Entidades industriais e da construção civil criticaram a decisão. A CNI classificou a manutenção como um “duro golpe” à economia, e a CBIC alertou que a Selic elevada “freia investimentos e dificulta novos lançamentos”.
Para o mercado financeiro, porém, o recado é claro: o Banco Central mantém o foco na credibilidade e prefere errar pelo excesso de cautela do que arriscar a inflação voltar a subir.
Em resumo: juros altos por mais tempo, alívio adiado e muita atenção ao que o BC fará nas próximas reuniões.
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