2025 no mercado imobiliário e o que esperar de 2026.
Se a gente olhar para 2025 como um jogo, o placar foi esse:
Selic alta segurando a compra, mas locação, FIIs e imóveis comerciais jogando bem mesmo em campo difícil.
Juros em 15%: o pano de fundo de tudo
O Banco Central manteve a Selic em 15% o ano inteiro, maior nível em quase 20 anos.
Na prática, isso significou:
• financiamento mais caro
• aprovação bancária mais rígida
• muita família querendo comprar, mas parando na conta da parcela
Muita demanda ficou “no funil” das imobiliárias e bancos, sem virar contrato.
Locação: demanda firme e preços em alta
Enquanto a compra desacelerou, o aluguel seguiu acelerado.
Os índices de mercado mostraram:
• alta dos aluguéis acima da inflação em 12 meses
• procura forte por imóveis bem localizados, especialmente de 2 e 3 dormitórios
• carteiras de locação mais cheias, mas exigindo gestão mais próxima
A inadimplência oscilou durante o ano, mas fechou com leve queda, ainda muito ligada a perda de renda e gastos imprevistos. Para imobiliárias, foi o ano de equilibrar três coisas: análise de risco, garantias mais inteligentes e uma cobrança firme, porém cuidadosa, para não perder bons inquilinos.
Lançamentos e vendas: mercado ativo, porém mais seletivo
Do lado das incorporadoras, 2025 não foi um ano parado:
• lançamentos cresceram em relação a 2024
• vendas também subiram, mas em ritmo menor
• o estoque nacional subiu para algo perto de nove meses de vendas na média
O foco continuou em médio e alto padrão, com tíquete médio maior e VGV robusto. O comprador, porém, chegou mais informado, comparando bem localização, metragem e condições de pagamento antes de assinar.
Comercial: escritórios e lajes voltam a respirar
No segmento comercial, 2025 consolidou a retomada:
• aluguéis de salas e conjuntos subiram mais que a inflação
• em eixos consolidados, a vacância caiu e os preços começaram a reagir
• políticas de volta ao escritório de grandes empresas ajudaram a demanda
Para quem atua com locação corporativa e seguro fiança comercial, foi um ano de reocupação gradual e de renegociar contratos em patamares um pouco melhores.
Investidor: FIIs viram “segunda perna” do imobiliário
Enquanto o tijolo físico enfrentava juros altos, os fundos imobiliários (FIIs) seguiram ganhando espaço:
• cerca de 2,9 milhões de investidores em 2025
• mais de 500 fundos listados
• patrimônio somado superior a R$ 180 bilhões
O mercado entrou em fase de consolidação: investidores mais exigentes, foco em fundos maiores, diversificados e com boa governança. Para muitas pessoas, os FIIs já são o “imóvel B” da carteira, ao lado da casa própria ou de um apartamento de renda.
E o que esperar de 2026?
O cenário base do mercado hoje é:
• possível início de cortes na Selic ao longo de 2026
• ajustes importantes no crédito imobiliário (novo modelo de SBPE, teto maior do SFH, volta de financiamentos com entrada menor)
• locação ainda forte, mas com chance de desacelerar a alta se o crédito melhorar
• compra e venda com espaço para reagir, principalmente para classe média e médio padrão
• FIIs e imóveis comerciais bem posicionados para um ambiente de juros em queda
Para donos de imobiliárias e corretoras de seguros imobiliários, 2026 tende a ser o ano de:
• mapear e aquecer a base de clientes que hoje não compram só por causa da parcela;
• blindar e cuidar da carteira de locação, usando dados, garantias e processos bem amarrados;
• acompanhar de perto juros, crédito e novas regras para ser o primeiro a chamar o cliente quando o custo do dinheiro começar a cair.
Resumindo: 2025 foi o ano de aprender a jogar bem com o juro no teto.
2026 tem tudo para ser o ano de se posicionar para o próximo ciclo de alta em financiamento e negócios